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Pesquisa mostra importância dos produtos de higiene pessoal e cosméticos

Os produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos (HPPC) são essenciais para os brasileiros. Eles previnem doenças, proporcionam bem-estar, fortalecem a autoestima e promovem inserção social. Apesar dos benefícios para a saúde pública do País, recebem carga tributária elevada, principalmente após os aumentos ocorridos nos últimos dois anos, o que já ameaça o acesso de muitos brasileiros a tais produtos.

Essas foram as principais conclusões de um recente estudo encomendado pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC) e finalizado em março pelo Instituto FSB Pesquisa. O estudo ouviu dois públicos distintos. Um deles era uma amostra representando os consumidores de um modo geral. O outro, um grupo de profissionais com alto grau de influência sobre a opinião pública e em decisões capazes de alterar o acesso da população a esses produtos (mais detalhes sobre a pesquisa no quadro abaixo).

Os resultados, segundo Marcelo Tokarski, diretor do Instituto FSB Pesquisa, deixam claro que ambos os públicos têm a percepção de que os produtos de HPPC, em sua grande maioria, são essenciais. “O estudo mostra que as pessoas colocam esses itens na prateleira das necessidades básicas, capaz de garantir saúde em primeiro lugar, mas também de assegurar conforto emocional”, ele explica.

Reforço na autoconfiança

A pesquisa mostrou que as pessoas têm consciência sobre a importância dos cuidados pessoais para a prevenção de doenças. Além disso, identificou uma relação clara entre a sensação de estar limpo e a autoestima das pessoas. “Tudo que é para a higiene melhora o bem-estar”, resumiu um morador de Salvador (BA) que participou da pesquisa. “Você escova os dentes, fica com a boca limpa, previne cáries e também se sente fresco. Isso deixa a pessoa com boa sensação de bem-estar.”

Os entrevistados entendem também que esses cuidados exercem grande influência nas relações pessoais e profissionais – e que a falta de acesso aos produtos pode prejudicar a pessoa. “Você já imaginou que alguém pode perder o emprego por causa de falta de desodorante? Imagina como a pessoa se sente em uma situação como essa”, exemplificou uma participante de Porto Alegre (RS).

Acesso está mais difícil

Apesar da importância atribuída aos produtos voltados aos cuidados pessoais, os entrevistados disseram que está mais difícil adquiri-los. A sensação reflete a crise econômica do País, que afetou a renda da população, e também está relacionada ao aumento dos impostos sobre o setor que ocorreu nos últimos dois anos e acabou tendo impacto nos preços. “O governo federal determinou uma série de mudanças que, na prática, representaram elevação da carga tributária”, afirma João Carlos Basilio, presidente executivo da ABIHPEC. “Além disso, 18 estados aumentaram o ICMS sobre itens do setor”. Em diversos casos, segundo Basilio, os aumentos determinados a partir de 2015 foram extremamente elevados, como no caso do creme dental em Minas Gerais, cujo imposto subiu 125%, do protetor solar no Paraná (108,3%) e do desodorante em Pernambuco (47,1%).

Esse movimento tem feito muitos consumidores migrarem para versões mais acessíveis, diminuir a frequência de uso ou até mesmo deixar de comprar alguns produtos. De acordo com o levantamento realizado, os itens mais afetados são protetor solar, cosméticos faciais, repelente, maquiagem, perfumes e água de colônia.

“Não há espaço para mais aumento de imposto”
Essa foi a opinião de 66,7% dos entrevistados do grupo de influenciadores

O estudo revelou que 95% dos especialistas em cuidados pessoais têm uma imagem positiva sobre o setor, seja pelos benefícios proporcionados aos usuários (higiene, saúde, bem-estar e autoestima), seja pela importância da indústria de HPPC para a economia do País (geração de empregos, renda, tributos, inovação, entre outros).

Esse público demonstrou estar bem informado sobre os aumentos de impostos que esses produtos vêm sofrendo: 73,3% souberam dizer que a carga tributária cresceu nos últimos dois anos. E 66,7% acham que não há mais espaço para novas elevações.

Os influenciadores acreditam que a política tributária da União, estados e municípios deve levar em consideração a essencialidade desses produtos. “Na prática, o que eles estão dizendo é que aumentos de carga tributária afetam o consumo de itens considerados indispensáveis para o dia a dia do brasileiro”, explica Tokarski.

Por meio do estudo, ficou comprovado quais produtos eles consideram mais essenciais: absorvente higiênico, sabonete, escova e creme dental, fralda descartável, repelente, protetor solar, desodorante, xampu e condicionador.

“O resultado da pesquisa é mais um indicativo da relevância dos produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos para os brasileiros, seja um consumidor dono de casa, comerciante ou até mesmo um jornalista ou autoridade política. Todos somos iguais e precisamos destes itens tão necessários para a manutenção da saúde e busca contínua do bem-estar e melhor qualidade de vida”, finaliza Basilio, presidente executivo da ABIHPEC.

Fonte: Estadão