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Perfume brasileiro é sucesso no mundo inteiro

Publicado em: 15.05.2017

O brasileiro ama se banhar e se perfumar – e esse é um traço cultural bastante antigo, como registram as pinturas históricas feitas aqui pelo francês Jean-Baptiste Debret do início do século 19. Essa característica elevou o País à liderança mundial na venda de perfumes em 2010, posto que sustentamos até 2015, quando, por causa da crise econômica, passamos para a segunda posição – mantida no ano passado. “Mas tenho certeza que, em breve, voltamos ao topo”, afirma a perfumista Renata Ashcar.

Mais de 90% dos perfumes e águas de colônia vendidos no mercado interno são produzidos aqui mesmo, num claro sinal da força da indústria nacional. Segundo os especialistas, mesmo com a atual retração econômica, as pessoas não deixaram de usar perfume. Apenas mudaram o comportamento, o que tornou o preço da fragrância um fator de escolha ainda mais importante. “As brasileiras têm, em média, três ou quatro frascos de perfume e geralmente o reaplicam mais de uma vez ao dia”, conta Renata. Algumas chegam inclusive a dormir perfumadas! Já os homens têm cerca de dois vidros em casa.

Nariz exigente

“Nos últimos anos, com o aumento do poder de compra da classe C, muitos brasileiros tiveram acesso também à perfumaria internacional e isso criou um consumidor mais exigente”, analisa Daniela Cunha, diretora de marketing de Perfumaria Fina para a América Latina da casa de fragrâncias Firmenich.

A resposta das marcas nacionais foi se reposicionar e investir em qualidade. Camila Casemiro, gerente de marketing de Perfumaria Fina da Symrise, conta que as mesmas casas de fragrâncias e os mesmos perfumistas são os grandes criadores dos perfumes importados e dos brasileiros. O que vem ocorrendo, segundo ela, é a incorporação do refinamento das marcas internacionais de perfumaria ao estilo brasileiro, respeitando o clima e o gosto local.

Outra estratégia da indústria nacional é o multicanal – marcas de vendas direta investindo em lojas de varejo e vice-versa. “Há também um forte investimento em ecommerce para atrair consumidores cada vez mais conectados”, ressalta Daniela.

Assinatura perfumada

O consumidor brasileiro tem a fragrância como a sua identidade. Muito mais que um acessório, trata-se de sua assinatura. “O perfume faz com que a pessoa se sinta mais preparada, segura e confiante para enfrentar o mundo. Ele projeta quem ela gostaria de ser, exala autoestima”, ela analisa.

No Brasil, o tema bem-estar é um dos atributos mais relevantes da perfumaria e inclui desde harmonia e aconchego, como também alegria e esse jeito de ser com sorriso fácil, prazer de sentir, saborear e desfrutar. “O bem-estar no Brasil tem um movimento suave e, é claro, tem cheiro”, diz a diretora de marketing da Firmenich.

Perfume para momentos

Mais um fator responsável pelo boom dos perfumes é que o consumidor está se acostumando a usar várias fragrâncias, de acordo com seu humor. “Ele está se atrevendo a experimentar mais e assim ganha confiança”, afirma a diretora de marketing de Granado/Phebo, Nazish Munchenbach.

Há o “perfume para o dia”, o “perfume para a noite”, o “perfume para o trabalho”, o “perfume para a balada” – o que aumenta a cesta de compras. “Ainda falta um trabalho de educação do nariz, de degustação dos cheiros, e as marcas estão focando esforços nisso”, continua Nazish.

Por causa do tempo quente e úmido, perfume sempre foi sinônimo de limpeza para o brasileiro. “Não à toa, o frescor é primordial em todas as fragrâncias. Até nas mais intensas”, diz Camila Casemiro, da Symrise. Ela lembra também outro atributo do perfume: por aqui, ele é arma de sedução!

Pirataria é crime

Os perfumes estão entre os principais produtos contrabandeados, falsificados e vendidos ilegalmente. Desde 2016, a ABIHPEC e a Alfândega da Receita Federal de São Paulo, em parceria, apreenderam e destruíram 23 toneladas de itens ilícitos – incluindo fragrâncias –, no valor de R$ 4,6 milhões. E essa é apenas uma pequena fração do problema, diante da estimativa baseada em um estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), de que, a cada ano, sejam vendidos ilegalmente no Brasil cerca de R$ 4 bilhões em produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos.

Esse mercado ilícito impede a criação de 16 mil vagas de empregos formais no setor, que poderiam gerar aos trabalhadores renda de R$ 430 milhões. E o prejuízo não é apenas financeiro. Os produtos falsificados ou contrabandeados põem em risco a saúde do consumidor, uma vez que não atendem às exigências que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) faz para o mercado legal. O resultado é que, não raro, tais produtos causam alergia, irritações de pele e até queimaduras.

Fonte: Estadão