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E-commerce amplia acesso a produtos de HPPC

Publicado em: 16.06.2017

A maquiadora Rafaela Mussolini, de 23 anos, sempre teve muita dificuldade para encontrar diversos cosméticos em sua cidade, Presidente Prudente, no interior paulista. “Nas capitais, tudo é mais fácil”, ela compara. “Aqui, não é fácil achar – e quando tem, geralmente é mais caro, já que são menos lojas que oferecem.” Mas isso deixou de ser um problema desde que ela passou a utilizar o serviço de lojas virtuais que entregam produtos em todo o País. “É muito mais prático e barato, mesmo se incluirmos os custos de frete”, diz ela.

Segundo o relatório WebShoppers, que reúne dados das vendas online no Brasil e é divulgado semestralmente pela consultoria Ebit, em 2016, 11,2% das vendas realizadas pela internet foram da categoria que engloba cosméticos e itens de perfumaria. Em termos de faturamento, as vendas do setor representam 4,5% do total de R$ 44,4 bilhões movimentados pelo comércio eletrônico brasileiro no último ano. São números que colocam o segmento de HPPC entre os mais importantes do varejo online no Brasil.

Mesmo com o advento da internet e o fortalecimento do comércio online, demorou um tempo para que os fãs de perfumes e cosméticos tivessem a praticidade de poder comprar seus produtos favoritos sem sair de casa.

Surpreendeu especialistas

Quando o e-commerce dava seus primeiros passos no Brasil, o setor de HPPC não estava entre as apostas dos segmentos que teriam mais espaço nas lojas virtuais. “O entendimento no mercado era que produtos que as pessoas tinham o hábito de testar ou experimentar antes de comprar não iam funcionar no varejo digital”, recorda Pedro Guasti, presidente da Ebit. A crença foi sendo aos poucos desfeita, conforme empreendedores conquistaram bons resultados com a criação de lojas especializadas em fazer a venda online de HPPC. Algumas delas chegaram a despertar o interesse até de investidores internacionais. E o que começou como um nicho, logo se tornou prática corrente no mercado. O sucesso do varejo digital de itens de perfumaria e cosméticos foi tanto que, hoje em dia, as grandes empresas do setor também investem pesado no desenvolvimento de suas próprias soluções de e-commerce.

Ao transformar a tela do computador na maior loja de itens de HPPC do País, as vendas online ampliam a capilaridade do segmento, beneficiando igualmente consumidores e fabricantes. “A internet não é só um canal de vendas, mas também uma excelente ferramenta de divulgação”, diz Guasti. Entre as possibilidades está desde a parceria com influenciadores, que possibilitam que o consumidor conheça o produto sob o ponto de vista de alguém que também é um usuário da marca, até novas formas de distribuição de amostras, baseadas em informações obtidas por meio da internet.

Potencial de crescer muito mais

As vantagens se estendem também a empresas que até pouco tempo eram bastante ligadas a outros canais de distribuição. Prova disso são as marcas que cresceram impulsionadas pelas vendas diretas e passaram a desenvolver modelos híbridos, incentivando as representantes a criar suas próprias lojas na rede para atender o mercado online.

Um dos principais resultados do avanço das empresas do setor pelo mundo digital é a possibilidade de tornar mais recorrentes vendas que eram feitas de forma esporádica – para consumidores que não tinham acesso a revendedores de determinados produtos em suas cidades, por exemplo. E a expectativa é que o e-commerce de HPPC se desenvolva ainda mais ao longo dos próximos anos, com o avanço tanto das startups especializadas no setor, como das grandes empresas do segmento que têm apostado no varejo virtual. “Conforme a internet se consolida nas regiões mais afastadas do País, esse é um dos segmentos que mais deve se desenvolver”, diz Guasti. Isso porque, além de serem produtos muito desejados, os itens do setor de HPPC podem ser despachados em embalagens menores do que os eletrônicos, por exemplo, o que ameniza uma das grandes barreiras do e-commerce no Brasil: a logística. “É um setor que tem bem menos dificuldade para oferecer atrativos como o frete grátis”, afirma o consultor. “E, com isso, é um dos que têm maior potencial para tirar proveito da internet.”

Fonte: Estadão