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Cenários

Publicado em: 19.08.2011

Cenários

A 6ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros elaborada pela Price WaterHouse Corps, na qual os líderes empresarias brasileiros mostram significativo otimismo em relação aos seus negócios para 2010 e para os próximos anos, apresenta  sinais que trazem preocupações e algumas ressalvas.

O estudo aponta que boa parte das empresas continua em plena reestruturação estratégica, mesmo com a melhora nas condições econômicas. A situação demonstra uma dificuldade de recuperação após a crise especialmente nas principais economias, cenário que dificulta o desenvolvimento brasileiro.

O corte de custos se mantém como prioridade no curto prazo para a maioria das companhias. Em 2009, ao todo 88% das empresas adotaram iniciativas para redução de custos no mundo. Proporcionalmente, no Brasil, o percentual foi o mesmo.

A expectativa para os próximos doze meses no País é que 79% das indústrias mantenham a mesma estratégia, ou seja continuarão reduzindo custos. Este é um percentual maior do que os níveis globais, o que mostra a difícil situação da indústria no Brasil.

A maior preocupação dos líderes empresariais brasileiros é com o excesso de regulação e muita burocracia que poderá afetar e comprometer o desempenho dos seus negócios.

O que fica claro na pesquisa é que a janela aberta para a continuidade do processo de transformação capaz de inserir o País no grupo de nações líderes da economia global nas próximas décadas, não é muito confiável e deixa margens para dúvidas e falhas.

A solução é, sem dúvida, arregaçar as mangas e se preparar para um volume substancial de trabalho, necessário para atingirmos os níveis de desenvolvimento pretendidos. As oportunidades são várias: a exploração de petróleo na camada do pré-sal, que abre portas para o desenvolvimento do País, a Copa do Mundo de 2014, que já iniciou obras e diversas ações nas cidades-sede brasileiras e os Jogos Olímpicos de 2016, um marco histórico na trajetória do País e também da América do Sul, já que esta será a primeira edição em um país sul americano. Temos também diversas outras possibilidades de crescimento já em curso em nosso território, diante de um cenário em que a infra-estrutura oferecida deixa muito a desejar.

Atingir o percentual mais alto do potencial que esses projetos volumetram, depende dos resultados que cada setor irá obter, e do volume de trabalho e dedicação, e porque não dizer, racionalidade, que serão realizados em cada projeto.

Por isso é essencial o investimento em infra-estrutura, especialmente na área de transportes (aeroportos, portos, transporte coletivo moderno e ampliação de estradas). Sem infra-estrutura não há capacidade de atingir os níveis de crescimento desejados. As análises obtidas é que temos ainda um único meio de transporte, o rodoviário, e ele já dá sinais de saturação. É urgente a ampliação, para finalizar a dependência logística já instalada.  É preciso também aumentar a qualidade da base educacional e promover a competitividade, ainda mais no setor industrial. A educação é a base do desenvolvimento em qualquer nação e o Brasil precisa estar sempre um passo à frente neste quesito.

Outras urgências são a modernização da máquina política com absoluto controle dos gastos públicos. Não podemos deixar de lado o combate à corrupção e a necessária Reforma Política e Tributária. Entendemos que é preciso ter um Estado forte, mas esse modelo não pode sufocar a nossa sociedade. É um absurdo o que pagamos de impostos e o baixo retorno que a sociedade brasileira tem, mesmo comparado a economias semelhantes à nossa. É importante não esquecer a necessidade de aprimorar (e deixar mais claro perante toda a sociedade) os marcos regulatórios, essenciais para o desenvolvimento da nossa economia.

São muitos os desafios e é de amplo conhecimento que esta não é uma tarefa fácil, aliás, é uma necessidade complexa e urgente. O momento é crucial. Os resultados dependem de quem a sociedade brasileira elegerá para executar e legislar nosso destino nos próximos anos.