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Sou Brasileiro

Publicado em: 19.08.2011

Sou brasileiro

João Carlos Basilio – presidente da ABIHPEC

O contexto econômico mundial me deixa sempre intrigado, e seu funcionamento atual tem me trazido muitas preocupações. A cada dia há uma nova surpresa, uma mudança de rumo repentina e nem sempre agradável aos mercados globalizados.

A situação ainda é reflexo da crise de 2008, que, sabemos, foi um momento complicado para todos os países, mesmo para o Brasil. No momento convivemos com uma grande incógnita que é o mercado da Grécia, país com 10 milhões de habitantes, que precisou de um socorro financeiro de aproximadamente 130 bilhões de euros. Um absurdo.

Países que ficaram muitos anos na mão de governos populistas – e muitos destes governantes fizeram concessões impensáveis a seus eleitores para se manter no poder – agora terão que contribuir para pagar essa conta, entre eles Itália, Espanha e Irlanda.

O resultado desta equação é de fácil previsão: aumento da recessão também entre os parceiros – especialmente na União Européia – desemprego, greves e instabilidade governamental.

O problema é que quem paga a conta somos nós, cidadãos de diversas partes do mundo, mesmo aqui no Brasil. Claro que alguns pagarão mais do que outros, mas ao final, todos serão envolvidos.

O Brasil possui uma vantagem diante dos mercados europeus. Nossa economia está em uma situação privilegiada, pois conseguimos e continuaremos superando o momento adverso da economia mundial. Isso caso nossos governantes não fiquem tentados a praticar políticas populistas no afã de ganhar as eleições de outubro.

Esperamos que só sejam criadas novas despesas de custeio caso a economia brasileira possa suportar ou vamos perder a possibilidade de trilhar o caminho de um crescimento sustentável.

Parece ser um consenso global que o Brasil é a bola da vez, a grande esperança deste século XXI. Saber aproveitar esse bom momento é garantir que a próxima década será de prosperidade.

Este otimismo, no entanto, não pode substituir a necessidade de enfrentarmos os diversos problemas que nossa nação atravessa. Um deles é o sistema jurídico, falho e lento. Dentro deste contexto estão nossas leis trabalhistas, que necessitam de reformas urgentes.

Na esfera política temos mais clareza das mudanças necessárias. Precisamos impedir que nossos governantes, nos níveis municipal, estadual e federal, tenham que estabelecer acordos comprometedores para aprovar os seus projetos. É um preço muito alto que não contribui em nada para o desenvolvimento do nosso País. Esses acordos só funcionam para encher o bolso de políticos corruptos.

É necessário diminuir a burocracia do país. Os processos cada vez mais complexos que envolvem nossas indústrias e nosso cotidiano impedem o desenvolvimento do empreendedorismo e impossibilitam criações, inovações, riscos, novidades.

Precisamos, também, investir mais em infra-estrutura. O “custo Brasil” ainda está muito alto, especialmente para um País que pretende e necessita se destacar industrialmente nos próximos anos. Falta modernização, não somente nos parques fabris, mas em todos os setores, até mesmo no comércio e nos serviços diretos ao consumidor. A reforma tributária não pode mais ser postergada. A substituição tributária foi implantada e, por isso, todos estão pagando mais, sem nenhum vislumbre de benefícios decorrentes deste aumento de arrecadação.

E por último, destaco um dos pontos mais importantes que exige nossa total dedicação. É urgente uma reforma em nosso sistema de educação. Este é o centro nevrálgico do desenvolvimento brasileiro e ponto crucial de investimento, sem o qual nenhum dos outros avanços citados aqui serão funcionais. Sem educação, há uma rápida queda de qualquer país, um desvio de rota que resultará em colisão com os objetivos de avanço político, econômico ou social.

Todas as informações apresentadas aqui têm o intuito de lembrar que estamos em ano de eleição e que seu voto é muito importante. Pense, reflita, vote consciente de que você fez uma boa opção.  Escolheremos nossos novos Presidente, Governadores, Deputados e Senadores.  Recorde-se de que são eles os principais responsáveis pelos próximos quatro anos e pelo destino do nosso País, do seu Estado. Muitas áreas de sua vida dependerão das políticas que definirão o rumo do Brasil.

Não trate a eleição dos nossos futuros governantes como um jogo. A democracia exige um cidadão cada vez mais consciente. Vote com convicção, pois sua decisão fará com que possamos ter um País cada vez melhor, para que possamos estufar o peito e dizer “Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor!”.