Evento realizado pela ABIHPEC (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos) reúne líderes de diferentes áreas para debater a transformação digital

(Crédito: Multiply Imagem)
O comportamento do consumidor passa por mudanças, assume o protagonismo e se torna o centro das estratégias de desenvolvimento e de inovação no setor de Beleza e Cuidados Pessoais. Especialistas presentes em evento promovido pela ABIHPEC (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos) destacaram que tentar impor produtos ao mercado não funciona mais; quem dita as regras hoje é o cliente, que eleva constantemente sua exigência e sabe exatamente o que deseja. Em um setor que já é o 3º maior mercado consumidor do mundo e representa cerca de 2% do PIB brasileiro, compreender as novas demandas do consumidor se tornou parte essencial da estratégia de crescimento e transformação da indústria.
Realizado com o objetivo de debater novos modelos de negócio, que impactam diretamente o consumidor e a economia, o encontro contou com a participação de Felipe Stuff (Diretor de Tecnologia e Produtos da Natura), Andreza Zacharias (Head de Business Development do iFood), Daniel Pereira (Diretor da Quarta Diretoria da Anvisa), e teve a mediação de Ariadne Morais, Diretora de Assuntos Regulatórios e Inovação da ABIHPEC.
Para o setor, colocar o consumidor no foco central significa investir em jornadas de compra altamente personalizadas e apoiadas em tecnologia. Em um mercado que posiciona o Brasil como o 4º país que mais inova em Beleza e Cuidados Pessoais no mundo, acompanhar a evolução do comportamento do consumidor se tornou parte essencial da estratégia de crescimento e desenvolvimento do setor. “Inserir o consumidor no centro da inovação exige adequar o ecossistema de dados e avançar com firmeza em pautas modernas, como a personalização e o fracionamento de cosméticos”, avaliou Ariadne Morais, diretora de Assuntos Regulatórios e Inovação da ABIHPEC.
Nesse contexto, o recente posicionamento do setor brasileiro de Beleza e Cuidados Pessoais, fundamentado no conceito de cuidado integral — físico, mental e social —, reforça a importância de compreender de forma mais ampla a relação do consumidor com os produtos do setor. Mais do que acompanhar tendências, as estratégias de inovação passam a considerar como as pessoas se cuidam, se expressam e vivenciam suas rotinas, impulsionando experiências cada vez mais conectadas ao cotidiano e às transformações do comportamento de consumo.
Contudo, Felipe Stuff, da Natura, alertou que a inteligência artificial só entrega experiências excepcionais se possuir um forte alicerce estrutural focado na qualidade da informação. Para o executivo, não dar atenção ao aprimoramento tecnológico de dados para focar apenas nos atrativos da IA pode ser um erro crítico para as marcas. Ferramentas mal alimentadas podem gerar interações ineficientes e, consequentemente, falham na missão de entender e atender o consumidor moderno.
Paralelamente, a procura por inovações focadas no bem-estar do cliente esbarra nos limites jurídicos do ambiente regulatório nacional. Daniel Pereira, diretor da Anvisa, destacou que a agência reguladora precisa atuar estritamente dentro da lei, exigindo investimentos em capacitação contínua para lidar com disrupções tecnológicas inéditas. Nesse contexto, o diretor também chamou atenção para iniciativas em curso que buscam equilibrar inovação e segurança sanitária. Entre elas, o avanço do sandbox regulatório para cosméticos personalizados, já aprovado pela Diretoria Colegiada, e a agenda regulatória em desenvolvimento sobre fracionamento e modelos de refil, construída a partir de propostas diálogo com a ABIHPEC e com o setor produtivo.
Essas frentes evidenciam o esforço conjunto entre a Anvisa e a indústria para criar caminhos regulatórios mais flexíveis e adaptados a novos modelos de negócio, sem abrir mão da proteção à saúde da população, inclusive no que se refere à fiscalização de produtos importados, independentemente de questões tributárias.
Já Andreza Zacharias, executiva do iFood, contou que a busca incansável por conveniência levou plataformas digitais a expandirem seus modelos de negócios a partir de 2019, migrando de atuações focadas para ecossistemas de multicategorias. Ao incorporar farmácias, cosméticos e petshops, ficou comprovado que quanto mais o usuário interage com diferentes frentes, maior é a sua fidelização e recorrência de consumo.
A inovação na Beleza e Cuidados Pessoais deixou de ser exclusivamente sobre a presença de novos ingredientes, para englobar toda a cadeia de inteligência de dados, logística e serviços. O desafio do setor está lançado: para que as novas ferramentas de inteligência artificial possam contribuir ainda mais, o mercado precisa consolidar suas bases estruturais de informação. Somente aliando o rigor da segurança sanitária à excelência tecnológica, será possível transformar a exigência do cliente no principal motor de expansão da indústria da beleza.
Sobre a ABIHPEC
A Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC) é uma entidade privada que tem como finalidade representar nacional e internacionalmente as indústrias desse setor, instaladas em todo país e de todos os portes, promovendo e defendendo os seus legítimos interesses, por meio de ações e instrumentos que contribuam para o seu desenvolvimento, buscando fomentar a competitividade, a credibilidade, a ética e a evolução contínua de toda a cadeia produtiva. Mais informações: www.abihpec.org.br.

