Como exportar produtos de beleza e cuidados pessoais?

Principais lições deste artigo

  • Barreiras técnicas ao comércio podem surgir quando requisitos técnicos, regulamentos ou procedimentos de avaliação da conformidade criam obstáculos desnecessários, discriminatórios, pouco transparentes ou excessivamente onerosos ao comércio internacional.

  • O Inmetro atua como Ponto Focal TBT da OMC, monitora regulamentos técnicos internacionais e oferece ferramentas gratuitas, como o Alerta Exportador, para antecipar mudanças.

  •  Para exportar produtos de Beleza e Cuidados Pessoais, a empresa deve avaliar, entre outros pontos, ingredientes permitidos, rotulagem, requisitos de registro ou notificação, exigências metrológicas, ensaios e documentação de conformidade aplicáveis no mercado-alvo. Empresas do setor contam com apoio técnico da ABIHPEC e do programa Beautycare Brazil para superar barreiras e ampliar exportações; mais informações em https://abihpec.org.br/.


O que são barreiras técnicas e por que importam para o setor

Barreiras comerciais derivadas da utilização de normas ou regulamentos técnicos não transparentes ou não embasadas em normas internacionalmente aceitas ou ainda, decorrentes da adoção de procedimentos da avaliação da conformidade não transparentes e/ou demasiadamente dispendiosos, bem como de inspeções excessivamente rigorosas.

O setor brasileiro de Beleza e Cuidados Pessoais faturou cerca de R$ 200 bilhões em 2025, gera aproximadamente 6,9 milhões de oportunidades de trabalho ao longo de sua cadeia produtiva e representa cerca de 2% do PIB brasileiro. Com exportações totais de US$ 1,061 bilhão em 2025, crescimento de 20,1% sobre o ano anterior para 189 países, o setor se consolidou como exportador maduro. Compreender barreiras técnicas integra a estratégia de internacionalização de qualquer empresa do setor, em especial as de pequeno e médio porte.

Vista aérea de um navio cargueiro carregado de contêineres coloridos no mar.
Em 2025, as exportações do setor ultrapassaram US$ 1 bilhão pela primeira vez, atendendo 189 países (Comexstat/MDIC-SECEX).

Consulte o portal da ABIHPEC para orientações sobre regularização e exportação.

Atribuições do InmetroO Inmetro atua como Ponto Focal de Barreiras Técnicas às Exportações da OMC no Brasil, por meio da Divisão de Superação de Barreiras Técnicas (Disbt). A instituição monitora regulamentos técnicos e procedimentos de avaliação de conformidade adotados por outros países que possam restringir o acesso de produtos brasileiros a mercados internacionais. No mercado interno, o Inmetro também fiscaliza o conteúdo líquido e as indicações quantitativas na rotulagem.

O caminho do exportador pode seguir duas etapas principais:

  1. Mapear os requisitos do país-alvo: identificar regras sanitárias, listas de ingredientes, requisitos de rotulagem, eventual registro ou notificação, documentação técnica, ensaios e certificações aplicáveis ao produto

  2. Monitoramento contínuo: cadastrar-se na ferramenta gratuita do Inmetro para receber notificações sobre novos regulamentos técnicos notificados à OMC pelos países de destino e o suporte da ABIHPEC.

As 5 principais barreiras técnicas para cosméticos

Exportadores do setor de Beleza e Cuidados Pessoais costumam concentrar suas principais dificuldades em cinco categorias de barreiras técnicas. Conhecer cada uma delas facilita o planejamento de fórmulas, rotulagem e documentação..

Capulho de algodão aberto em uma planta, com fundo verde desfocado.
Da sociobiodiversidade à bancada: ingredientes de origem natural, com rastreabilidade, são um dos diferenciais competitivos do setor no mundo.
  1. Ingredientes restritos ou proibidos:. Os mercados podem adotar listas positivas, negativas ou restritivas diferentes das brasileiras. A conformidade da fórmula deve ser verificada diretamente nas regras vigentes do país de destino antes do lançamento.

  2. Rotulagem multilíngue e requisitos específicos de informação:  Informações obrigatórias de rotulagem podem variar de um mercado para outro. A arte deve ser desenvolvida a partir das regras específicas do destino.

  3. . Registro, notificação e documentação técnica: Alguns países exigem registro prévio, notificação eletrônica, responsável local, dossiê técnico, comprovação de segurança, evidências de eficácia para determinadas alegações ou documentação de Boas Práticas. Esses requisitos devem ser mapeados caso a caso.

  4. Requisitos metrológicos de volume e peso: embalagens com indicações quantitativas devem seguir as normas metrológicas do país de destino, que podem divergir das brasileiras em tolerâncias, unidades de medida e forma de declaração. O Inmetro, em conjunto com os Institutos de Pesos e Medidas estaduais, fiscaliza esses requisitos no mercado interno. 

  5. Certificações de origem e rastreabilidade de ingredientes: requisitos regulatórios e de mercado relacionados à origem e à rastreabilidade de matérias-primas têm ganhado relevância nas cadeias globais. Na União Europeia, por exemplo, o EU Deforestation Regulation (EUDR) estabelece obrigações específicas de diligência devida e rastreabilidade para determinadas commodities e produtos abrangidos pelo regulamento, com o objetivo de assegurar que sejam livres de desmatamento e atendam à legislação aplicável no país de produção. Para empresas brasileiras inseridas em cadeias internacionais, o avanço dessas exigências reforça a importância de sistemas robustos de rastreabilidade, documentação da origem e gestão de fornecedores.

No caso de ingredientes oriundos da biodiversidade brasileira, a rastreabilidade também pode contribuir para a comprovação da origem, para a gestão da cadeia de fornecimento e para o atendimento aos requisitos legais aplicáveis, inclusive aqueles relacionados ao acesso ao patrimônio genético e à repartição de benefícios, quando incidentes.

O ePing, plataforma da OMC para notificações de medidas técnicas (TBT) e sanitárias (SPS), é uma ferramenta de monitoramento. O ePing reúne notificações submetidas pelos países membros da OMC e permite filtros por país e por categoria de produto. É importante, porém, compreender seu alcance: a plataforma registra medidas notificadas no âmbito dos acordos da OMC, o que inclui rascunhos e projetos em consulta pública, e não representa a totalidade da regulamentação vigente em cada mercado de destino. Para obter um panorama completo dos requisitos aplicáveis a um produto específico, é necessário complementar o monitoramento do ePing com consultas diretas às autoridades regulatórias dos países-alvo e com o suporte técnico da ABIHPEC.

A ferramenta funciona como sistema de monitoramento e alerta, que precisa ser complementado por consultas diretas às autoridades regulatórias dos mercados de destino e pelo suporte técnico da ABIHPEC em sua frente de Comércio Exterior.

Acesse os recursos técnicos da ABIHPEC para apoio em comércio exterior.

Beautycare Brazil: canal estruturado de apoio da ABIHPEC e ApexBrasil

O setor brasileiro de Beleza e Cuidados Pessoais conta com o Beautycare Brazil, programa de internacionalização estruturado em parceria entre a ABIHPEC e a ApexBrasil. Em 2025, o programa reuniu 162 empresas participantes, das quais 132 realizaram negócios , registrando US$ 363,4 milhões em exportações para 130 países, com 126 tipos de produtos.

O Beautycare Brazil apoia toda a cadeia de valor, incluindo produtos acabados, ingredientes, embalagens, pesquisa clínica e laboratorial e correlatos. As ações envolvem participação em feiras internacionais, missões comerciais, rodadas de negócios e capacitações voltadas ao mercado externo. A maioria das empresas apoiadas é de pequeno e médio porte, para as quais o acesso estruturado a mercados internacionais contribui para ampliar escala e diversificar canais de venda.

O acordo Mercosul–União Europeia, em vigor desde maio de 2026, estabeleceu um processo para a redução gradual das tarifas de importação em até 15 anos em ambos os blocos. Essa abertura comercial progressiva possibilita a identificação de novas oportunidades estratégicas para o setor de beleza e cuidados pessoais em um dos mercados consumidores mais exigentes do mundo. Empresas que já atuam na Europa relatam que o processo de adequação regulatória, que pode levar de três meses a um ano, torna-se mais ágil quando há suporte técnico estruturado desde o início, como o oferecido pelo Beautycare Brazil.

Perguntas frequentes

O que são barreiras técnicas ao comércio e como elas afetam cosméticos brasileiros?

 Requisitos técnicos não são, por si só, barreiras. O problema surge quando regulamentos, normas ou procedimentos de avaliação da conformidade criam obstáculos desnecessários ou discriminatórios ao comércio. Para cosméticos, as diferenças podem envolver ingredientes, rotulagem, documentação, ensaios, registro, metrologia e rastreabilidade.

Qual é o papel do Inmetro para quem exporta cosméticos?

O Inmetro é o Ponto Focal brasileiro do Acordo TBT da OMC e atua no apoio à identificação e à superação de barreiras técnicas. O exportador pode utilizar o ePing para monitorar notificações e recorrer às consultas técnicas do Inmetro para esclarecer requisitos de acesso a mercados. A análise deve ser complementada pela legislação oficial do país de destino.

Como o acordo Mercosul–União Europeia afeta as barreiras técnicas para cosméticos brasileiros?

O acordo Mercosul–União Europeia, em vigor desde maio de 2026, estabeleceu um processo para a redução gradual das tarifas de importação em até 15 anos em ambos os blocos. Essa abertura comercial progressiva possibilita a identificação de novas oportunidades estratégicas para o setor de beleza e cuidados pessoais. As barreiras técnicas, como regulamentos sanitários, listas de ingredientes, requisitos de rotulagem, rastreabilidade de ingredientes naturais e conformidade com regulamentos como o EU Deforestation Regulation, permanecem em vigor e continuam a ser exigidas para a entrada de produtos no mercado europeu.

O acordo visa a redução tarifária gradual do imposto de importação,  mas não substitui a necessidade de adequação técnica e regulatória. Empresas que já avançaram no processo de conformidade com padrões europeus estão mais bem posicionadas para aproveitar os benefícios do acordo. O Beautycare Brazil e a frente de Comércio Exterior da ABIHPEC oferecem suporte estruturado para essa jornada.

Quais são as principais mudanças regulatórias internacionais recentes que afetam exportadores de cosméticos?

Algumas mudanças recentes merecem atenção especial. O EU Deforestation Regulation passou a exigir rastreabilidade de ingredientes vegetais para comprovar que não estão associados ao desmatamento. A Corporate Sustainability Due Diligence Directive obriga grandes empresas europeias a solicitar de seus fornecedores internacionais documentação sobre impactos socioambientais ao longo da cadeia.

Vista de baixo para cima do dossel de uma floresta, com a luz do sol entre as árvores.
A biodiversidade brasileira é base de inovação do setor: ativos da Amazônia, do Cerrado e da Mata Atlântica se transformam em tecnologia e diferenciação internacional.

No Brasil, a Anvisa publicou em 2026 as RDCs 1.029 e 1.030, que atualizaram listas de substâncias restritas e proibidas em cosméticos, com alinhamento ao Mercosul. Exportadores precisam monitorar continuamente essas atualizações, 


Conclusão e próximos passos

O setor brasileiro de Beleza e Cuidados Pessoais exporta com crescente competitividade e conta com uma rede de apoio institucional. A superação de barreiras técnicas integra o processo de amadurecimento exportador, que permite a empresas locais atuarem como em diferentes mercados. As empresas brasileiras podem contar com diversos órgãos e agências de fomento que buscam preparar, capacitar, apoiar, desenvolver e direcionar esforços para promover a competitividade brasileira no mercado internacional, além de disponibilizar ferramentas e canais de consulta e informações,  tais como Anvisa, Inmetro, Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Ministério das Relações Exteriores, Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).  A ABIHPEC tem uma atuação muito próxima com todos estes parceiros para facilitação de comércio e defesa de interesses do setor, além de disponibilizar ao Associado ferramentas e disponibilizar informações regulares que servirão como apoio na construção das estratégias e planejamento internacional. O Beautycare Brazil, em parceria da ABIHPEC e a  ApexBrasil, oferece suporte estruturado que aproxima o planejamento exportador de resultados concretos.

Para gestores de exportação de pequenas e médias empresas, o caminho mais eficiente começa pela informação. Conhecer as atribuições de cada instituição, utilizar as ferramentas disponíveis e contar com o suporte técnico de quem representa o setor diante de reguladores, governos e organismos internacionais fortalece a presença do Brasil no comércio global.

Explore o suporte completo da ABIHPEC para exportadores do setor.

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