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Produção física de embalagens cresce 2,5% em 2018 e apresenta perspectivas positivas para os próximos anos

Publicado em: 18.03.2019

Em 2019, a ABRE – Associação Brasileira de Embalagem apresentou uma versão ampliada do seu Estudo ABRE Macroeconômico e de Tendências, abordando, além das perspectivas de desempenho da indústria de embalagens, um olhar para as principais categorias de bens de consumo no Brasil.

O estudo dá continuidade ao acompanhamento elaborado pela ABRE e FGV nos últimos 20 anos, que a partir de agora será elaborado em parceria com a Euromonitor International. A nova reformulação do estudo contará com a atualização dos dados macroeconômicos do setor de embalagens (faturamento, produção física, balança comercial, etc.) com a complementação das principais tendências e impulsionadores sobre os principais setores de bens de consumo.

O evento de lançamento aconteceu no último dia 14, em São Paulo, e contou com o patrocínio diamante da Braskem e da Velcro. O estudo também contou com o apoio da Bemis, Brasilata, Braskem, CBA, DuPont, Dow, Terphane e Velcro.

Para abrir o evento, a ABRE trouxe o Economista Chefe do Santander, Maurício Molan, para falar das perspectivas econômicas para o Brasil em 2019.

Molan apontou que muitos fatores interferem no crescimento sustentável da economia no país, desde questões como a desigualdade social, infraestrutura, índice de confiança, instituições, sistema político, etc. E que para o país crescer de forma sustentável é necessário que as reformas sejam feitas, principalmente a da Previdência, mas outras, como a tributária e a política, também seriam necessárias.

Os próximos anos também serão um pouco mais complicados para a economia no país, já que reflexos da geopolítica mundial, desaceleração da China, uma liquidez menor e o desequilíbrio fiscal nas contas dificultarão para a retomada econômica.

Molan ressaltou que a crença no ajuste fiscal continua a ser condição necessária para a superação da crise e que o crescimento econômico virá do consumo, mesmo em um ambiente desafiador. Apesar disso, o economista conta que estamos com alguns aspectos positivos, que devem ser mantidos neste e no próximo ano, como inflação baixa e controlada, uma taxa de juros baixa, cambio depreciado e que deveremos ter crescimento do PIB, somente em uma velocidade menor do que esperado, com um crescimento mais tímido em 2019 e uma previsão maior em 2020.

Já o Estudo ABRE Macroeconômico e de Tendências foi apresentado pela Angélica Salado, Analista Sênior da Euromonitor.

O estudo demonstrou que o valor bruto da produção de embalagens em 2018 movimentou um total de R$ 78,5 bilhões, um crescimento de 10,4% em relação a 2017, sendo que plásticos, embalagens celulósicas e metálicas representam aproximadamente 90% do montante total. A produção física cresceu 2,5% e todas as categorias apresentaram crescimento, com destaque para embalagens de madeira e têxteis.

O nível de emprego na indústria atingiu 219 mil postos de trabalho em dezembro de 2018, contingente que é 0,41% superior em comparação com o mesmo período do ano anterior. As exportações movimentaram um total de US$ 573,3 milhões, um crescimento de 7% em relação ao ano de 2017. Já as importações também apresentaram crescimento, movimentando um total de US$ 607,7 milhões.

Para analisar as tendências de embalagens por categorias, foi utilizada a base de dados Passport da Euromonitor, que inclui as embalagens primárias do varejo de alimentos processados, bebidas, produtos de limpeza, cosméticos, produtos de cuidados pessoais e alimentos para pets. Esta base de dados não considera as embalagens secundárias e/ou de transporte.

Do total de embalagens mensurados pela base de dados, a maior parte destas é de embalagens flexíveis, seguidas por embalagens de plástico rígido e cartonadas assépticas. A boa notícia é que todos os tipos de embalagens apresentam perspectivas de crescimento em volume para os próximos anos e existem oportunidades para todos.

Angélica comentou que o país ainda passa por um período de ajuste, muito parecido com outros países que passaram por crises semelhantes e que ainda apresentará algumas oscilações durante algum tempo, mas a perspectiva é que a recuperação econômica se consolide nos próximos anos.

Dentro da apresentação, algumas tendências foram apontadas pela palestrante, tais como:

– Marcas regionais e de nicho ditam ritmo de inovação e ganham relevância de mercado
– Lojas de conveniência ganham espaço para consumo on-the-go e desafiam os canais de foodservice
– Consumidores buscam experimentação: diferentes tamanhos de embalagens permitem testar marcas e sabores
– Bebidas mistas ganham força frente à cerveja e aos destilados, criando novas ocasiões de consumo com tamanhos, formatos e sabores
– Racionalização nas compras: embalagens maiores, canais mais baratos (atacarejo) e marcas regionais/próprias
– Maximização no uso: consumidores querem evitar o desperdício dos produtos

Na apresentação também foram apresentados algumas mudanças de comportamentos, que alteram e influenciam as diferentes formas de consumir, levantadas pela consultoria:

– Vivendo em Solitude: casas com apenas um morador – sejam jovens que vão morar sozinhos ou consumidores mais velhos que moram sozinhos. Dentro das indústrias, isto pode ser utilizado como convite para repensar seu portfólio de produtos e embalagens, estimulando a experimentação e o consumo consciente – evitando desperdícios.

– Eu quero agora!: consumidores buscam gratificação instantânea e experiências simples que permitam dedicar maior tempo para suas vidas pessoais. O crescimento de lojas de conveniência (com previsão de crescimento anual de 9,2% até 2023, segundo a Euromonitor) leva as empresas a repensarem novos tipos e tamanhos de embalagens.

– Todos são especialistas: consumidores querem entender cada vez mais sobre a composição dos produtos e sua cadeia de valor, além de valorizarem opiniões dos seus amigos/parentes e reviews de consumidores. Cada vez mais conectados, as embalagens servem como uma importante ferramenta para as empresas disponibilizarem mais informações sobre seus produtos e o processo produtivo por meio de tecnologias, por exemplo (como QR Codes, Realidade Aumentada).

Para finalizar, Angélica ressaltou que é prevista recuperação para todas as indústrias de bens de consumo para os próximos anos, com efeitos positivos para as embalagens primárias (crescimento médio anual de 1,6% até 2024, em volume, no canal varejo). Também concluiu que a embalagem é cada vez mais estratégica, da concepção à entrega do produto.

 

Fonte: ABRE