Biodiversidade em beleza e cuidados pessoais brasileiros

Principais lições deste artigo

  • O Brasil   abriga entre15% e 20% da biodiversidade global, segundo PNUMA, e converte essa riqueza em ativos como açaí, cupuaçu e buriti para formulações de beleza e cuidados pessoais.

  • O setor brasileiro de Beleza e Cuidados Pessoais fatura cerca de R$ 200 bilhões, gera aproximadamente 7 milhões de oportunidades de trabalho e alcançou mais de US$ 1 bilhão em exportações em 2025.

  • A Lei 13.123/2015 exige cadastro no SisGen, rastreabilidade e repartição de benefícios, e a ABIHPEC participa do CGEN desde 2017, contribuindo para direcionar mais de R$ 10 milhões a ações de conservação.

  • Ingredientes de todos os biomas, como Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga, participam de produtos com funções de hidratação, proteção e condicionamento, o que fortalece a inovação e a diferenciação internacional.

  • Para saber mais sobre o setor brasileiro de Beleza e Cuidados Pessoais, visite o site institucional da ABIHPEC em abihpec.org.br.

Qual é o tamanho do setor de Beleza e Cuidados Pessoais que usa ativos da biodiversidade?

O setor brasileiro de Beleza e Cuidados Pessoais fatura cerca de R$ 200 bilhões e está presente em 100% dos domicílios brasileiros, segundo a ABIHPEC. Essa escala nacional se traduz em cerca de 7 milhões de oportunidades de trabalho ao longo de toda a cadeia produtiva, da extração de ingredientes ao varejo multicanal, e representa aproximadamente 2% do PIB nacional.

Frascos de cuidados pessoais sem marca, hastes flexíveis e uma pequena planta sobre uma bancada.
Do banho à hidratação, os produtos de cuidados pessoais acompanham o brasileiro do acordar ao dormir — presentes em 100% dos domicílios e em todas as faixas de preço.

O Brasil ocupa a terceira posição no ranking mundial de mercados consumidores de Beleza e Cuidados Pessoais, atrás apenas dos Estados Unidos e da China. Também figura entre os países que mais lançam produtos globalmente, com 7.359 lançamentos registrados em 2025, conforme dados do Mintel GNPD. Em 2025, as exportações totais do setor ultrapassaram pela primeira vez a marca histórica de US$ 1 bilhão, com crescimento de 20,1% sobre o ano anterior, segundo dados do Comexstat/MDIC-SECEX.

Vista aérea de um navio cargueiro carregado de contêineres coloridos no mar.
Em 2025, as exportações do setor ultrapassaram US$ 1 bilhão pela primeira vez, atendendo 189 países (Comexstat/MDIC-SECEX).

A biodiversidade brasileira integra de forma estruturante essa dinâmica. Ingredientes da Amazônia, do Cerrado e da Mata Atlântica compõem portfólios de marcas nacionais que constroem reputação internacional ancorada na origem e na rastreabilidade dos ativos. Em edições recentes do In-Cosmetics Latin America, organizadores registraram aumento expressivo na demanda por ingredientes amazônicos por parte de formuladores e marcas que buscam diferenciação regional e identidade autêntica.

Vista de baixo para cima do dossel de uma floresta, com a luz do sol entre as árvores.
A biodiversidade brasileira é base de inovação do setor: ativos da Amazônia, do Cerrado e da Mata Atlântica se transformam em tecnologia e diferenciação internacional.

O setor projeta crescimento de 7% ao ano até 2027, segundo a Euromonitor International, e a bioeconomia baseada na biodiversidade aparece como um dos vetores centrais dessa expansão.

Conheça dados e estudos atualizados sobre o setor brasileiro de Beleza e Cuidados Pessoais em abihpec.org.br.

Como funciona a Lei 13.123/2015 e qual é o papel da ABIHPEC no CGEN?

O acesso à biodiversidade brasileira para fins comerciais segue a Lei nº 13.123/2015, conhecida como Marco da Biodiversidade, regulamentada pelo Decreto nº 8.772/2016. Essa legislação substituiu um modelo mais restritivo por um sistema declaratório que equilibra o acesso ao patrimônio genético com a repartição justa e equitativa de benefícios entre empresas, comunidades tradicionais e o Estado.

Os três pilares operacionais do marco são:

  • Cadastro no SisGen: toda empresa que acessa patrimônio genético ou conhecimento tradicional associado para desenvolvimento e exploração econômica de produtos registra essa atividade no Sistema Nacional de Gestão do Patrimônio Genético, criado em 2017. O cadastro ocorre antes da publicação de resultados, do pedido de direitos de propriedade intelectual ou da comercialização de produtos.

  • Repartição de benefícios: empresas que exploram economicamente produtos derivados de acesso à biodiversidade brasileira repartem benefícios de forma monetária, com destinação ao Fundo Nacional de Repartição de Benefícios, ou de forma não monetária, por meio de projetos de conservação, capacitação de comunidades ou transferência de tecnologia.

  • Rastreabilidade: a cadeia de fornecimento de ingredientes permanece documentada, o que permite verificar a origem dos ativos e o cumprimento das obrigações regulatórias em cada etapa.

A ABIHPEC, em conjunto com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), integra o Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN) desde 2017, após a nova composição estabelecida pela Lei nº 13.123/2015 e pelo Decreto nº 8.772/2016. Essa participação assegura a contribuição técnica do setor produtivo na construção de normas que conciliam conservação e viabilidade para a inovação industrial.

Em 2017, a ABIHPEC lançou o primeiro Guia orientativo para acesso à biodiversidade brasileira, atualizado em 2025, que orienta empresas de diferentes portes sobre como cumprir o marco regulatório de forma prática e segura. O setor já destinou mais de R$ 10 milhões a ações de conservação e uso sustentável da biodiversidade via repartição de benefícios, conforme a publicação institucional Beleza Sustentável (2026).

Em junho de 2026, o Decreto nº 13.014/2026 introduziu mecanismos adicionais que facilitam o acesso de empresas estrangeiras ao SisGen por meio de associação com instituições científicas brasileiras, o que amplia o alcance internacional da bioeconomia nacional.

Para que a bioeconomia avance de forma consistente, o setor depende de segurança jurídica, regras claras, simplificação regulatória, rastreabilidade e um ambiente que incentive a inovação sem impor barreiras desproporcionais às empresas. A calibragem técnica das normas, a harmonização federativa e a análise de impacto regulatório são condições essenciais para que o marco legal cumpra seu objetivo de promover o uso sustentável da biodiversidade com viabilidade econômica

Acesse guias e materiais sobre biodiversidade e regulação no site institucional da ABIHPEC.

Quais ativos da biodiversidade são usados nos principais biomas brasileiros?

Cada bioma brasileiro oferece um repertório distinto de ativos com funções específicas em formulações de produtos de beleza e cuidados pessoais. A tabela a seguir apresenta alguns dos principais ingredientes por bioma e suas funções genéricas em produtos de beleza e cuidados pessoais, com base em informações técnicas do setor:

Bioma

Ativo principal

Função genérica em produtos de beleza e cuidados pessoais

Amazônia

Açaí (Euterpe oleracea)

Contribui para a aparência hidratada e nutrida da pele e dos cabelos

Amazônia

Cupuaçu (Theobroma grandiflorum)

Auxilia na manutenção da maciez e da aparência saudável da pele

Amazônia

Andiroba (Carapa guianensis)

Contribui para a proteção e o condicionamento da pele e dos cabelos

Amazônia

Copaíba (Copaifera spp.)

Participa de formulações voltadas à manutenção da aparência da pele

Amazônia

Murumuru (Astrocaryum murumuru)

Contribui para o condicionamento e a aparência dos cabelos

Cerrado

Buriti (Mauritia flexuosa)

Auxilia na proteção e na manutenção da aparência da pele exposta ao sol

Amazônia / Cerrado

Castanha-do-Brasil (Bertholletia excelsa)

Contribui para a nutrição e a aparência hidratada da pele e dos cabelos

Mata Atlântica

Maracujá (Passiflora spp.)

Participa de formulações voltadas à manutenção da maciez da pele

Caatinga

Umbu (Spondias tuberosa)

Presente em formulações voltadas à hidratação e ao cuidado da pele

Amazônia

A Amazônia reúne a maior diversidade de ativos aplicados ao setor. Açaí e cupuaçu, junto ao buriti e ao jambu, apresentam compostos antioxidantes, hidratantes e nutritivos que sustentam seu uso em formulações de produtos de beleza e cuidados pessoais sustentáveis, segundo revisão apresentada no V Congresso Brasileiro de Biodiversidade e Inovação Tecnológica em Saúde (2026). A ABIHPEC e o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA) firmaram acordo de cooperação em 2024 para fortalecer cadeias produtivas de bioinsumos amazônicos e estimular a inovação baseada em recursos florestais.

Capulho de algodão aberto em uma planta, com fundo verde desfocado.
Da sociobiodiversidade à bancada: ingredientes de origem natural, com rastreabilidade, são um dos diferenciais competitivos do setor no mundo.

Cerrado

O Cerrado, segundo maior bioma brasileiro, abriga o buriti, ativo amplamente utilizado em formulações voltadas à manutenção da aparência da pele, além de outras espécies com potencial crescente de aplicação em produtos de beleza e cuidados pessoais. A rastreabilidade dos ingredientes do Cerrado funciona como diferencial competitivo para marcas que buscam posicionamento sustentável em mercados internacionais.

Mata Atlântica

A Mata Atlântica, mesmo com maior fragmentação, contribui com ativos como extratos de maracujá e outras espécies nativas presentes em formulações de cuidados com a pele. A conservação desse bioma se relaciona diretamente com a disponibilidade futura desses ingredientes.

Caatinga

A Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro, oferece ativos como o umbu e outras espécies adaptadas ao semiárido, com interesse crescente da indústria por sua singularidade e pelo potencial de geração de renda para comunidades do Nordeste.

Veja publicações e iniciativas ligadas à biodiversidade em abihpec.org.br.

Como a biodiversidade impulsiona P&D, rastreabilidade e diferenciação internacional?

A biodiversidade orienta uma agenda de inovação que vai além da substituição de ingredientes sintéticos por ingredientes de origem natural. Essa agenda envolve ciência aplicada, biotecnologia, química verde e, de forma crescente, ferramentas como bioinformática e inteligência artificial para identificar, caracterizar e estabilizar compostos de origem vegetal, microbiana e mineral.

Técnicas de extração como fluidos supercríticos, ultrassom e micro-ondas aumentam o rendimento de compostos bioativos de espécies amazônicas e reduzem o uso de solventes tóxicos, segundo revisão técnica apresentada em congresso científico brasileiro em 2026. Tecnologias de encapsulamento e nanocarreadores ampliam a estabilidade de ativos em formulações e exigem avaliações toxicológicas e estudos de permeação para garantir segurança ao consumidor.

A rastreabilidade funciona como mecanismo central de diferenciação. Empresas que documentam a origem dos ingredientes, identificando bioma, comunidade fornecedora e processo de extração, constroem credenciais verificáveis para mercados internacionais cada vez mais exigentes. A União Europeia, por meio do Regulamento de Desmatamento (EUDR) e da Diretiva de Due Diligence em Sustentabilidade Corporativa (CSDDD), passou a exigir documentação de origem, geolocalização e desempenho socioambiental verificável de fornecedores de ingredientes de biodiversidade, segundo o Centro de Promoção de Importações dos Países em Desenvolvimento (CBI, 2025).

O acordo Mercosul–União Europeia amplia o acesso do setor brasileiro a mercados europeus que valorizam esse tipo de rastreabilidade. Marcas nacionais que já operam com cadeias documentadas de ingredientes amazônicos e do Cerrado se posicionam para aproveitar esse diferencial competitivo.

A Naturaltech 2026, maior feira de bem-estar da América Latina, realizada em junho em São Paulo, destacou a biodiversidade brasileira como vetor de diferenciação competitiva, com lançamentos baseados em óleos amazônicos e extratos botânicos nativos reconhecidos no Clean Beauty Award.

Explore estudos de inovação, P&D e rastreabilidade do setor em abihpec.org.br.

Quais são os impactos, benefícios e desafios do uso da biodiversidade no setor?

O uso responsável da biodiversidade pelo setor de Beleza e Cuidados Pessoais gera impactos que se estendem para além da formulação de produtos e alcançam territórios, comunidades e biomas inteiros.

No plano ambiental, o setor contribuiu para apoiar a conservação de mais de 5 milhões de hectares de floresta por meio de cadeias de insumos rastreáveis e modelos produtivos sustentáveis, conforme a publicação institucional Beleza Sustentável (2026). Quando uma empresa compra castanha-do-Brasil de uma cooperativa extrativista com rastreabilidade certificada, ela cria incentivo econômico para que a floresta permaneça produtiva e valorizada.

No plano social, a cadeia de ingredientes da biodiversidade envolve comunidades ribeirinhas, indígenas, quilombolas e agricultores familiares. Iniciativas como a do coletivo Amélias da Amazônia, formado por 16 mulheres ribeirinhas no Pará que produzem óleos de andiroba e copaíba para marcas de produtos de beleza e cuidados pessoais, ilustram como a bioeconomia pode gerar renda, preservar conhecimento tradicional e fortalecer o protagonismo feminino em territórios amazônicos, segundo a Agência Brasil (2026).

No plano da inovação, o Brasil lançou em 2026 o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio), que posiciona a biodiversidade como eixo do desenvolvimento econômico até 2035, com metas de inclusão social, geração de emprego e fortalecimento da preservação ambiental. O setor de Beleza e Cuidados Pessoais integra essa agenda como um dos vetores de aplicação prática da bioeconomia.

Os desafios técnicos e estruturais seguem relevantes. A padronização química dos extratos vegetais se mostra necessária porque variações sazonais, geográficas e de parte da planta alteram o perfil fitoquímico dos ativos, o que exige protocolos analíticos rigorosos para garantir qualidade e segurança ao consumidor. A escala de fornecimento demanda investimento contínuo em infraestrutura de extração e em capacitação das comunidades produtoras. Para que a bioeconomia avance de forma consistente, o setor depende de segurança jurídica, regras claras, rastreabilidade e um ambiente regulatório que incentive a inovação sem impor barreiras desproporcionais às empresas.

O PNDBio estabelece metas para ampliar a participação na repartição de benefícios do patrimônio genético até 2035, segundo o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS, 2026), o que amplia a participação econômica das comunidades tradicionais nos ganhos gerados pela indústria.

Conheça outras iniciativas de impacto social e ambiental do setor em abihpec.org.br.

Biodiversidade, cuidado integral e a agenda ampla de sustentabilidade

A relação do setor com a biodiversidade se insere em uma agenda de cuidado integral. Cuidar das pessoas implica também cuidar da origem dos insumos, das condições sociais da cadeia, dos impactos ambientais da produção e do destino das embalagens. Essa agenda integra biodiversidade, clima, economia circular e impacto social. Na economia circular, o setor avança com o Mãos Pro Futuro, maior programa de logística reversa do País, que completa 20 anos em 2026. Na dimensão social, o Instituto ABIHPEC promove impacto estruturante por meio de iniciativas de saúde, bem-estar e empregabilidade.

Perguntas frequentes sobre biodiversidade em produtos de beleza e cuidados pessoais brasileiros

O que significa biodiversidade em produtos de beleza e cuidados pessoais brasileiros?

Biodiversidade em produtos de beleza e cuidados pessoais brasileiros se refere ao uso de ingredientes de origem vegetal, microbiana ou mineral provenientes dos biomas do Brasil, como Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga, em formulações de produtos de uso externo. Esses ingredientes participam de produtos como hidratantes, xampus, condicionadores e itens para a pele, com o objetivo de limpar, perfumar, alterar a aparência, proteger ou manter em bom estado as diversas partes do corpo. O uso desses ativos segue a Lei nº 13.123/2015 e exige cadastro no SisGen, além de repartição de benefícios com comunidades e com o Estado.

O que é a Lei 13.123/2015 e qual é a importância para o setor de Beleza e Cuidados Pessoais?

A Lei nº 13.123/2015, o Marco da Biodiversidade, regula o acesso ao patrimônio genético brasileiro e ao conhecimento tradicional associado para fins de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e exploração econômica. Para o setor de Beleza e Cuidados Pessoais, a lei define as obrigações de cadastro no SisGen antes da comercialização de produtos derivados de ativos nativos e estabelece a repartição de benefícios, monetária ou não monetária, com comunidades tradicionais e com o Fundo Nacional de Repartição de Benefícios. A lei criou um sistema mais moderno e previsível do que o marco anterior, o que incentiva a inovação com segurança jurídica. A ABIHPEC participa do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN) desde 2017 e publicou guias orientativos para apoiar empresas no cumprimento dessas obrigações.

Como funciona a repartição de benefícios na prática?

A repartição de benefícios ocorre de duas formas principais. Na modalidade monetária, a empresa destina um percentual da receita líquida obtida com a venda do produto ao Fundo Nacional de Repartição de Benefícios, gerido pelo governo federal. Na modalidade não monetária, a empresa pode realizar projetos de conservação ambiental, capacitação de comunidades, transferência de tecnologia ou outras iniciativas acordadas com as comunidades fornecedoras. A escolha entre as modalidades depende do tipo de acesso realizado e das negociações com as partes envolvidas. O setor de Beleza e Cuidados Pessoais já direcionou mais de R$ 10 milhões a essas ações, conforme a publicação institucional Beleza Sustentável (2026) da ABIHPEC.

Como garantir que um produto com ingredientes da biodiversidade brasileira é seguro?

A segurança de qualquer produto de beleza e cuidados pessoais no Brasil segue um arcabouço regulatório rigoroso, fiscalizado pela Anvisa. Produtos regularizados, seja por registro ou por notificação, passam por avaliação de segurança, estudos de estabilidade e controle microbiológico antes de chegar ao mercado. O consumidor pode verificar se o produto possui regularização válida junto à Anvisa, ler atentamente o rótulo, seguir as instruções de uso indicadas pelo fabricante e observar o prazo de validade.

Em caso de qualquer reação adversa, o uso deve ser interrompido, o consumidor deve procurar uma unidade de saúde e notificar o fabricante pelo canal de comunicação direta e de fácil acesso indicado na rotulagem. A Anvisa também pode ser notificada pelo sistema Notivisa. O fato de um ingrediente ser de origem natural não dispensa avaliação técnica: todos os ativos da biodiversidade utilizados em produtos de beleza e cuidados pessoais cumprem as listas regulatórias da Anvisa e os requisitos da RDC 907/2024.

Qual é a relação entre biodiversidade, bioeconomia e cuidado integral?

A bioeconomia baseada na biodiversidade brasileira conecta três dimensões do cuidado integral que o setor de Beleza e Cuidados Pessoais promove. No plano do bem-estar físico, os ativos nativos contribuem para a manutenção da aparência e do conforto da pele e dos cabelos. No plano social, a cadeia de ingredientes da biodiversidade gera renda para comunidades tradicionais, fortalece territórios e preserva conhecimento ancestral. No plano ambiental, o uso responsável e rastreável desses ingredientes cria incentivos econômicos para a conservação dos biomas.

Quando o setor acessa a biodiversidade com conformidade regulatória, rastreabilidade e repartição justa de benefícios, o cuidado com o consumidor se amplia para o cuidado com as comunidades fornecedoras, com os territórios e com o planeta, aproximando o conceito de cuidado integral do corpo, da mente e das relações.

Conclusão: a biodiversidade como ativo estratégico de inovação e cuidado integral

A biodiversidade brasileira se apresenta como um dos ativos mais singulares do setor de Beleza e Cuidados Pessoais no cenário global. Ela não atua apenas como matéria-prima, mas também como base de inovação, diferenciação internacional, desenvolvimento territorial e conservação ambiental. Quando o acesso ocorre em conformidade com a Lei nº 13.123/2015, com cadastro no SisGen, rastreabilidade documentada e repartição justa de benefícios, essa biodiversidade se converte em vantagem competitiva sustentável para empresas, comunidades e para o país.

O setor brasileiro de Beleza e Cuidados Pessoais, cuja escala e alcance internacional foram detalhados anteriormente, tem na biodiversidade um de seus pilares estratégicos. A ABIHPEC, como porta-voz do setor, acompanha essa agenda desde 2017 no CGEN, publica guias orientativos, apoia empresas de diferentes portes no cumprimento regulatório e defende um ambiente de inovação com segurança jurídica, previsibilidade e respeito às comunidades.

Quem se cuida por inteiro faz a vida acontecer por inteiro, e o setor que cuida da biodiversidade contribui para que esse cuidado permaneça possível para as próximas gerações. Cuidar para fazer acontecer.

Conheça a campanha “Cuidar para fazer acontecer” e outras iniciativas do setor em abihpec.org.br.

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