China freia importação e afeta commodities


A China importou menos commodities em junho e as exportações cresceram menos que o previsto, ilustrando como a segunda maior economia do mundo sofre com a deterioração na economia global. Com importações fracas, o superávit comercial chinês no mês alcançou US$ 31,7 bilhões, quase o dobro do mês anterior e o maior em três anos. Em Genebra, os resultados da China confirmam que o comércio mundial vai crescer abaixo dos 3,7% estimados pela OMC, comparado a 5% no ano passado e 13,8% em 2010. “A demanda global é menor em quantidade e preços, e o comércio das commodities também cresce menos do que se esperava”, diz o diretor de Comércio Internacional e Commodities da Unctad, Guillermo Valles. Em junho, as exportações chinesas surpreenderam pelo lado positivo e as importações, pelo lado negativo. O crescimento das importações caiu de 12,7% em maio para 6,3%, bem pior do que antecipado. Maior comprador mundial de várias matérias-primas, como minério de ferro, cobre e carvão, os dados chineses são uma espécie de indicador da demanda global. Tanto as importações para processamento e reexportação como para uso doméstico enfraqueceram. Para o analista Quinwei Wang, em Londres, isso indica que exportadores estão perdendo confiança nas perspectivas globais.O preço menor ajudou, mas as importações de commodities caíram 7% mesmo em termos reais. Klaus Baader, do banco Société Générale, nota que o valor dos produtos importados baixou mais que os volumes no segundo trimestre, indicando que os dados sobre valor exageraram a fragilidade na demanda de importações chinesas. As importações originárias de Brasil, África do Sul e Rússia, importantes fontes de commodities, foram bem, em contraste com a fraqueza nas procedentes da Austrália. Uma razão seria a queda de preços de minério de ferro e baixa demanda por carvão. As importações do produto podem melhorar nos próximos meses, com a política fiscal mais expansionista que as autoridades chinesas prometem. Por sua vez, as exportações cresceram 11,2%, em comparação com o ano passado, abaixo dos 15,3% de maio. As vendas para os EUA tiveram súbita baixa, de 6,5%. As perspectivas são de que a demanda americana continuará frágil, a exemplo da Europa. Mas Pequim continua diversificando o destino de suas exportações. As vendas menores nas economias desenvolvidas estão sendo compensadas em parte por vendas maiores para grandes mercados emergentes e exportadores de commodities. As vendas para o Brasil aumentaram 3,8%, se recuperando do declínio de 5,3% em abril-maio. No primeiro trimestre, as exportações chinesas para o Brasil cresceram 18%.Refletindo demanda interna e externa menor do que a esperada no primeiro trimestre e fraca recuperação no segundo, analistas cortam suas projeções de alta das exportações chinesas de 10% para 8%. As projeções para a alta das importações caíram de 12% para 10%. Os dados justificam, em todo caso, rápida política de estímulo. “A China continuará a crescer, mas em ritmo muito menor do que no passado”, diz Valles, da Unctad. “Os custos da China começaram a aumentar e sua competitividade foi corroída em certos setores. A situação não é nada confortável, tampouco para países em desenvolvimento”. Para Valles, os dados recentes confirmam que a China não poderá substituir a baixa da demanda dos países industrializados. (Fonte: Valor Econômico)

 


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