Desenvolver um novo produto, ingrediente ou tecnologia pode exigir conhecimentos que uma única empresa nem sempre possui internamente.
Uma pesquisa pode estar avançada em um centro científico, uma startup pode ter desenvolvido uma tecnologia promissora e um fornecedor pode dominar uma determinada solução de processo. A inovação aberta parte justamente da possibilidade de conectar esses conhecimentos para resolver desafios que seriam mais difíceis de enfrentar de forma isolada.
Na indústria de Beleza e Cuidados Pessoais, esse modelo ganha relevância à medida que o desenvolvimento de produtos incorpora novas áreas de conhecimento, como biotecnologia, inteligência artificial, ciência de dados, novos métodos de avaliação e tecnologias de desenvolvimento. A colaboração pode acontecer em diferentes momentos, desde a pesquisa inicial até a validação e a chegada de uma solução à escala.
Inovação aberta amplia as fronteiras da pesquisa e do desenvolvimento
Durante muito tempo, a inovação empresarial foi associada principalmente à capacidade interna de pesquisa e desenvolvimento. A empresa identificava uma oportunidade, realizava suas pesquisas, desenvolvia a solução e conduzia internamente a maior parte das etapas necessárias para colocá-la no mercado.
Esse modelo continua existindo e é importante, mas não precisa ser o único caminho. A velocidade das transformações tecnológicas e a crescente especialização do conhecimento fazem com que empresas possam encontrar, fora de suas estruturas, competências complementares às que já possuem.
Na inovação aberta, o conhecimento externo passa a fazer parte do processo de desenvolvimento de maneira estruturada. Isso pode envolver universidades, centros de pesquisa, startups, fornecedores, empresas de tecnologia, laboratórios especializados e outros parceiros capazes de contribuir com conhecimento, infraestrutura, tecnologias ou novas perspectivas.
Startups podem acelerar a experimentação de novas tecnologias
Startups costumam atuar em áreas nas quais existe espaço para experimentar novas tecnologias e modelos de negócio. Para uma indústria, estabelecer uma colaboração com uma startup pode representar uma forma de acessar determinado conhecimento ou tecnologia sem necessariamente precisar desenvolver toda aquela competência internamente desde o início.
Essa colaboração pode assumir diferentes formatos. Uma startup pode fornecer uma tecnologia para ser testada, participar de um projeto de desenvolvimento, disponibilizar uma solução já existente para adaptação ou trabalhar com a indústria na construção de uma aplicação específica.
A relação, entretanto, precisa partir de um problema ou oportunidade bem definido. O simples acesso a uma tecnologia nova não garante inovação. É necessário entender qual necessidade ela atende, quais resultados pode produzir e quais condições técnicas, econômicas e regulatórias precisam ser consideradas para sua aplicação.
Centros de pesquisa aproximam conhecimento científico da indústria
Universidades e centros de pesquisa também desempenham um papel importante nesse ecossistema. Muitas descobertas e tecnologias desenvolvidas em ambientes acadêmicos ou científicos precisam de etapas adicionais para se transformar em aplicações industriais, e a colaboração com empresas pode contribuir para aproximar esses dois universos.
Na indústria cosmética, essa conexão pode envolver pesquisas sobre ingredientes, biotecnologia, processos de obtenção, mecanismos relacionados à pele e aos cabelos, métodos de avaliação ou novas tecnologias de desenvolvimento. A empresa, por sua vez, pode trazer conhecimento sobre aplicação, requisitos de mercado, produção e necessidades concretas do consumidor.
Essa aproximação não significa transformar imediatamente uma descoberta científica em produto. Entre a pesquisa e a aplicação comercial existe um processo de desenvolvimento, validação e avaliação de viabilidade. A colaboração pode justamente ajudar a construir esse caminho.
O desafio está em transformar colaboração em resultado
Ter parceiros externos não é suficiente para que uma empresa tenha um processo de inovação aberta eficiente. É preciso estabelecer objetivos, critérios de avaliação, responsabilidades e formas de integração entre as equipes envolvidas.
Também existem questões relacionadas à propriedade intelectual, confidencialidade, compartilhamento de dados, contratos e definição de direitos sobre resultados. Dependendo do projeto, aspectos regulatórios e de segurança também precisam ser considerados desde as primeiras etapas.
Essa estrutura é especialmente importante porque projetos de inovação aberta podem envolver conhecimentos desenvolvidos por diferentes organizações. Definir como cada parte poderá utilizar os resultados e quais informações podem ser compartilhadas ajuda a criar condições mais seguras para a colaboração.
A colaboração pode acontecer em diferentes etapas da inovação
A inovação aberta não precisa começar quando uma solução já está praticamente pronta. Ela pode participar de diferentes momentos do processo, dependendo do desafio.
Na pesquisa, parceiros externos podem contribuir com conhecimento científico ou novas hipóteses. Na experimentação, podem disponibilizar tecnologias, equipamentos ou metodologias. No desenvolvimento, podem participar da criação ou adaptação de soluções e, em etapas posteriores, colaborar na validação, industrialização ou aplicação.
Essa flexibilidade é uma das características mais relevantes do modelo. A empresa pode buscar externamente aquilo que faz sentido para cada projeto, mantendo internamente as competências que são estratégicas para seu negócio.
Inovação aberta também muda a cultura das organizações
A adoção desse modelo exige mudanças na maneira como as empresas enxergam conhecimento e inovação. Se uma organização considera que todas as soluções precisam ser desenvolvidas internamente, pode deixar de aproveitar tecnologias e competências que já existem fora de seus laboratórios.
Uma cultura de inovação aberta pressupõe disposição para estabelecer relações com diferentes atores, testar possibilidades e incorporar conhecimentos externos. Isso não significa abandonar a pesquisa interna, mas ampliar as possibilidades de onde podem surgir ideias e soluções.
A programação do Summit Inovação ABIHPEC 2026 aborda justamente essa dimensão na apresentação “Da startup ao laboratório: como a indústria cosmética está usando inovação aberta para acelerar produtos, ingredientes e experiências”. O tema integra o bloco dedicado à transformação dos processos de inovação e se conecta diretamente às discussões sobre escala e cultura de inovação.
Da experimentação à escala, a parceria precisa evoluir
Um dos desafios da inovação aberta é fazer com que uma colaboração que funciona em um projeto experimental consiga avançar para uma aplicação maior. Uma tecnologia pode apresentar bons resultados em laboratório e ainda precisar de adaptações para atender às condições de produção, aos requisitos de qualidade ou à escala necessária.
Por isso, a relação entre os parceiros tende a mudar conforme o projeto avança. O que começa como uma pesquisa exploratória pode se transformar em um projeto de desenvolvimento, depois em uma validação e, eventualmente, em uma solução incorporada à operação da empresa.
Essa transição exige decisões sobre investimento, capacidade produtiva, fornecedores, propriedade intelectual, riscos e viabilidade comercial. É nesse ponto que a inovação aberta se encontra com outro desafio central da indústria: transformar experimentação em inovação que possa ser efetivamente escalada.
A indústria cosmética amplia seu ecossistema de inovação
A evolução de tecnologias e conhecimentos aplicados à Beleza e Cuidados Pessoais torna cada vez mais difícil pensar inovação a partir de uma única disciplina. Um novo produto pode depender simultaneamente de química, biologia, tecnologia, ciência de dados, conhecimento regulatório, comportamento do consumidor e capacidade industrial.
A colaboração permite aproximar essas diferentes competências. Em vez de concentrar todo o processo em uma única estrutura, a indústria pode construir redes capazes de reunir conhecimentos complementares e direcioná-los para desafios concretos.
Essa visão também ajuda a entender por que algumas das inovações mais importantes podem acontecer longe dos olhos do consumidor. Uma nova tecnologia de fabricação, um ingrediente desenvolvido a partir de uma pesquisa, uma metodologia de avaliação ou uma parceria entre indústria e centro de pesquisa podem modificar profundamente um produto sem que essa transformação seja evidente na embalagem. Essa relação entre indústria, startups, universidades, centros de pesquisa e fornecedores já aparece como parte do ecossistema de inovação do setor.
Inovação aberta como estratégia para desenvolver o futuro
A inovação aberta não representa um modelo único de parceria nem substitui a capacidade interna de pesquisa e desenvolvimento. Seu valor está em permitir que empresas identifiquem onde precisam de conhecimento, tecnologia ou competências complementares e construam relações capazes de acelerar esse desenvolvimento.
Para a indústria de Beleza e Cuidados Pessoais, essa abordagem pode ganhar ainda mais importância conforme novas tecnologias e áreas científicas passam a participar do desenvolvimento de produtos, ingredientes e experiências. O desafio está em transformar essas conexões em projetos estruturados, com objetivos claros, evidências e capacidade de chegar à aplicação.
É essa passagem da descoberta à aplicação, da parceria ao desenvolvimento e do experimento à escala que coloca a inovação aberta como uma das ferramentas para ampliar a capacidade de inovação da indústria.
No Summit Inovação ABIHPEC 2026, a discussão sobre inovação aberta integra uma agenda mais ampla que também aborda cultura de inovação e escala. A proposta é olhar para o processo completo: como encontrar novas possibilidades, testar soluções, tomar decisões e criar condições para que a inovação avance dentro das organizações.
Perguntas frequentes sobre inovação aberta
O que é inovação aberta?
É uma abordagem de inovação que permite às empresas combinar conhecimentos e recursos internos com competências externas, por meio de colaborações com startups, universidades, centros de pesquisa, fornecedores, empresas de tecnologia e outros parceiros.
Qual é o papel das startups na inovação da indústria cosmética?
Startups podem contribuir com tecnologias, conhecimentos especializados e novas soluções, ajudando empresas a experimentar e desenvolver aplicações em áreas nas quais ainda não possuem competências internas ou desejam acelerar sua capacidade de desenvolvimento.
Como universidades e centros de pesquisa contribuem para a inovação?
Podem fornecer conhecimento científico, infraestrutura, metodologias e pesquisas que ajudam a investigar novos ingredientes, tecnologias, processos e aplicações. A parceria com a indústria pode contribuir para transformar esse conhecimento em soluções aplicáveis.
Inovação aberta significa terceirizar a pesquisa e desenvolvimento?
Não. A empresa pode manter competências estratégicas internamente e, ao mesmo tempo, buscar parceiros externos para complementar conhecimentos, tecnologias ou recursos necessários a determinados projetos.
Quais são os principais desafios da inovação aberta?
Entre os desafios estão a definição de objetivos e responsabilidades, integração das equipes, proteção da propriedade intelectual, compartilhamento de informações, contratos, investimento e capacidade de levar uma solução experimental para a escala.
Por que a inovação aberta é importante para a indústria de Beleza e Cuidados Pessoais?
Porque o desenvolvimento de novos produtos e tecnologias envolve conhecimentos cada vez mais diversos. A colaboração com diferentes atores permite ampliar o acesso a competências e acelerar a investigação de soluções em áreas como biotecnologia, novos ingredientes, tecnologias digitais e métodos de desenvolvimento e avaliação.

