[:pt]Recessão e dólar desaceleram turismo aos EUA [:]

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Por João José Oliveira

A Brand USA, agência pública de promoção ao turismo nos Estados Unidos, projeta uma desaceleração da visita de brasileiros a destinos norte­americanos em 2016 por causa da recessão no Brasil e da desvalorização do real em relação ao dólar. “A crise econômica e o real mais fraco atrapalham o crescimento desse movimento, mas não esperamos queda”, disse o presidente da agência, Christopher Thompson.

Os Estados Unidos vão receber cerca de 2,7 milhões de brasileiros neste ano, ou quase 10% mais que no ano passado. Para 2016, a agência prevê estabilidade neste número, sem crescimento. O destinos americanos recebem cerca de 25% dos turistas brasileiros que viajam para o exterior.

Na ponta contrária, os brasileiros são apenas 3,6% dos 75 milhões de turistas que os Estados Unidos recebem por ano. O presidente da Brand USA disse ao Valor que o Brasil pode entrar na lista dos países a integrarem o programa Visa Waiver, que flexibiliza a permissão para os viajantes entrarem nos Estados Unidos.

Em vez de ter que acessar consulados, os viajantes de países que já tem o “waiver” podem fazer o processo totalmente pela internet, sem burocracia. “O Chile foi o primeiro país a receber o acesso a esse programa”, disse Thompson, que acha que o Brasil não está tão longe desse benefício. Mas ele observa que isso depende de um processo político que é imprevisível, ainda mais na atual conjuntura. De um lado, o governo brasileiro está travado por causa das discussões sobre o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Do lado dos Estados Unidos, as campanhas dos pré­-candidatos às prévias partidárias de Democratas e Republicanos começaram a esquentar. O candidato que lidera as pesquisas entre os republicanos, Donald Trump, por exemplo, é claramente contrário a facilitar entrada de estrangeiros nos Estados Unidos. “As eleições ainda estão muito longe. Então é muito cedo para dizer que vai ficar mais difícil receber turistas nos Estados Unidos”, disse Thompson.

O plano da Brand USA é estimular a ida de brasileiros a outros destinos além dos já tradicionalmente procurados pelos brasileiros ­ Nova York e Flórida. “Já vemos algum movimento nesse sentido”, disse o presidente da Brand USA, que ano que vem fará uma campanha específica para os brasileiros, durante o segundo trimestre.

O executivo diz que a oferta de voos deve ajudar a incrementar a demanda de brasileiros por destinos americanos, quando a recessão brasileira passar. “Mas antes disso, também há o movimento contrário, de americanos procurando novos destinos no Brasil”, disse Thompson. A Brand USA é uma agência que recebe fundos do governo federal, cerca de US$ 100 milhões por ano.

Mas o orçamento total é ampliado em mais de 100% por contribuições de associados privados, entre agências de turismo, companhias aéreas e escritórios regionais e estaduais de promoção a destinos. Desde que foi criada, em 2012, a Brand USA elevou em 2 milhões o fluxo anual de turistas nos Estados Unidos, gerando US$ 6,5 bilhões a mais em vendas feitas aos viajantes que despendem recursos nos destinos americanos.

A indústria americana de turismo responde por 2,7% do PIB dos Estados Unidos.

Fonte: Valor

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