[:pt]Venda pela internet tem recuo inédito em agosto em SP [:]

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Por Cibelle Bouças

O comércio eletrônico, que nos últimos anos cresceu a taxas de dois dígitos e apresentou desempenho descolado do varejo como um todo, começou a sentir mais fortemente os efeitos da crise econômica no país. Uma pesquisa inédita realizada pela Fecomercio SP apontou uma queda real de 10,1% nas vendas do comércio on ­line no Estado de São Paulo no mês de agosto, para R$ 1,03 bilhão.

O mercado paulista responde por 22% das vendas feitas pela internet no país. Em agosto de 2014, o setor havia apresentado crescimento real de 17,9% no Estado. No acumulado de janeiro a agosto deste ano, o varejo on­ line ainda apresentou crescimento de 1%, movimentando R$ 9 bilhões. “É a primeira vez que se observa uma queda nas vendas do comércio eletrônico e também uma redução em sua participação no varejo total”, afirmou Victor Augusto Meira França, assessor econômico da Fecomercio SP.

Entre julho e agosto, a fatia das vendas pela internet no comércio geral caiu de 2,5% para 2,3%. “Esse segmento do mercado já apresenta os efeitos do aumento no nível do desemprego e na redução da renda disponível das famílias”, acrescentou.

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A Fecomercio SP destrinchou os dados de comércio eletrônico por regiões do Estado de São Paulo. No acumulado do ano, apresentaram queda no desempenho as regiões do ABCD Paulista (recuo de 26,1%), Guarulhos (menos 4,2%) e Osasco (menos 2,5%). A capital paulista apresentou um incremento de 0,6% no ano. “As regiões onde a taxa de desemprego se mostrou mais forte neste ano, onde as indústrias têm uma importância mais forte na economia local, apresentam um efeito mais forte de queda no varejo físico e no comércio eletrônico”, disse França.

Em contrapartida, outras regiões no interior do Estado mantiveram um crescimento de dois dígitos nas vendas pela internet. É o caso de São José do Rio Preto (16,6%), Taubaté (12,3%), Araraquara (12,6%), Presidente Prudente (12,9%) e Araçatuba (14,8%). Julia Ximenes, economista da Fecomercio SP, associou esse crescimento ao fato de serem regiões com economia mais voltada ao agronegócio, que tem apresentado um desempenho melhor no país neste ano, em comparação a outros setores.

A economista também considera que há, nessas regiões, um número grande de consumidores que começaram fazer compras on­ line recentemente, o que ajuda a impulsionar parcialmente o segmento. “Comprar pela internet é um hábito relativamente novo para consumidores de cidades de menor porte. Na capital paulista, essa prática está mais disseminada”, disse. França acrescentou ainda que nas cidades menores a competição entre lojas físicas tende a ser menos acirrada.

Dessa forma, o comércio eletrônico sofre menos a competição indireta do varejo físico em comparação à capital paulista. Os economistas da Fecomercio SP observam que a desaceleração das vendas se deu um pouco mais tarde na internet em comparação ao varejo físico porque os consumidores que ainda compram eletroeletrônicos, itens de linha branca e outros de alto valor agregado, encontram preços mais baixos nas lojas virtuais. “Mas a tendência de desaceleração do comércio eletrônico é nítida. E o impacto tende a ser maior no fim do ano, à medida que as pessoas que perderam o emprego a partir do segundo trimestre vão deixar de receber o seguro desemprego e terão que se concentrar ainda mais no consumo de bens essenciais”, afirmou França.

De acordo com informações da consultoria e­bit, o comércio eletrônico no país apresentou queda em agosto, em comparação ao mesmo mês do ano passado e, para o ano, a tendência é que esse segmento do mercado atinja um crescimento nominal de 15% e crescimento real (descontada a inflação) na casa dos 5%.

A entidade pondera que o crescimento nominal do comércio eletrônico registrado no primeiro semestre, de 13%, está mais associado ao aumento nos preços dos produtos do que ao volume de vendas. No primeiro semestre, houve incremento de 2,5% no volume de pedidos feitos pela internet, chegando a 49,4 milhões de encomendas. A e­bit, no entanto, estima uma melhora no ritmo de vendas no fim do ano. “As empresas de comércio eletrônico ainda apostam que a Black Friday [ação promocional que ocorre no fim de novembro] vai fazer a diferença neste ano, com a realização de promoções em um período no qual as pessoas receberam a primeira parcela do 13º salário”, afirmou Pedro Guasti, diretor­ geral da e­bit e presidente do Conselho de Comércio Eletrônico da Fecomercio SP.

Fonte: Valor

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