Principais lições deste artigo
● O aquecimento global impacta a estabilidade de fórmulas de produtos de beleza e cuidados pessoais, o que leva a investimentos constantes em estudos, embalagens com maior resistência térmica e formulações adaptadas ao clima brasileiro.
● A biodiversidade brasileira é estratégica para o setor, e as mudanças climáticas tendem a pressionar a disponibilidade de ingredientes nativos, o que reforça a importância de sourcing sustentável e rastreabilidade.
● O programa Mãos Pro Futuro, da ABIHPEC, já recuperou mais de 1,5 milhão de toneladas de embalagens e evita milhões de toneladas de gases de efeito estufa, o que consolida a logística reversa como pilar da economia circular.
● A agenda ESG do setor combina conservação ambiental, inclusão produtiva de comunidades extrativistas e redução de emissões, o que posiciona a indústria como protagonista da adaptação climática.
● Conheça mais sobre o setor brasileiro de Beleza e Cuidados Pessoais e suas iniciativas sustentáveis no site da ABIHPEC.
Impacto do calor na estabilidade de fórmulas
Temperaturas extremas afetam diretamente a estabilidade de fórmulas de produtos de beleza e cuidados pessoais. Emulsões, protetores solares, condicionadores e produtos de skincare são desenvolvidos para atuar dentro de faixas específicas de temperatura. Quando ficam expostos a calor excessivo, no transporte, no armazenamento ou no uso cotidiano, podem apresentar alterações de textura, separação de fases ou perda de desempenho esperado.
Esse cenário leva as empresas do setor a investir de forma contínua em estudos de estabilidade acelerada, em embalagens com maior resistência térmica e em formulações pensadas para o clima brasileiro. O Brasil tem alta incidência solar ao longo de todo o ano, o que torna essa adaptação parte estrutural da indústria nacional, e não apenas uma reação pontual ao aquecimento global.
O cuidado com o corpo, como dimensão central do cuidado integral, depende da qualidade e da estabilidade dos produtos. Um protetor solar que perde eficácia por exposição inadequada ao calor deixa de oferecer a proteção esperada contra os raios UVA e UVB. A inovação em formulação tende a funcionar, ao mesmo tempo, como resposta climática e como compromisso com o bem-estar de quem usa o produto.
Sourcing sustentável de ingredientes nativos
A biodiversidade brasileira forma uma base estratégica de inovação para o setor de Beleza e Cuidados Pessoais. Ativos como copaíba, cupuaçu, murumuru, açaí, buriti e andiroba entram em fórmulas que chegam a consumidores no Brasil e em outros mercados. Produtos de beleza e cuidados pessoais brasileiros chegaram a quase 200 países em 2025, segundo dados compilados pela ABIHPEC a partir de fontes governamentais.
As mudanças climáticas pressionam essa base de ingredientes. Alterações nos regimes de chuva, secas prolongadas e aumento de temperatura influenciam a disponibilidade e a qualidade de matérias-primas nativas, em especial as provenientes de extrativismo sustentável em biomas como Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica. O Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio), lançado em abril de 2026, reconhece esse potencial e busca estruturar cadeias produtivas que conectem conservação, inovação e geração de renda para comunidades locais.
O setor de Beleza e Cuidados Pessoais já destinou mais de R$ 10 milhões a ações de conservação e uso sustentável da biodiversidade via repartição de benefícios, com recursos ao Fundo Nacional de Repartição de Benefícios, além de apoiar a conservação de mais de 5 milhões de hectares de floresta por meio de insumos rastreáveis e modelos produtivos sustentáveis. Essa atuação prática é acompanhada de participação institucional. A ABIHPEC integra o Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN) desde 2017 e publicou, em 2025, a versão atualizada do Guia para Uso Sustentável da Biodiversidade Brasileira.
Essa agenda conecta o cuidado social, como dimensão do cuidado integral, às comunidades extrativistas e agricultoras familiares que sustentam essas cadeias. Um estudo da Embrapa de 2023 estimou que ações inclusivas de bioeconomia podem beneficiar 750 mil famílias entre agricultores familiares, povos indígenas e comunidades tradicionais na Amazônia brasileira. Para que esse potencial se concretize, rastreabilidade, repartição justa de benefícios e inclusão produtiva dessas comunidades nas cadeias de valor tendem a ser fatores decisivos.
Redução da pegada de carbono em embalagens
Embalagens ocupam posição central na agenda climática do setor. A resposta do setor de Beleza e Cuidados Pessoais se organiza em dois níveis complementares: a economia circular e a logística reversa.
Economia circular descreve um modelo amplo de geração e retenção de valor que começa antes do descarte, no design das embalagens, na escolha de materiais, na incorporação de conteúdo reciclado, em modelos de refil, na redução de peso e em processos produtivos mais eficientes. Logística reversa é um instrumento específico de responsabilidade compartilhada no pós-consumo, que estrutura a coleta, a triagem, a reciclagem e a rastreabilidade das embalagens após o uso.
O programa Mãos Pro Futuro é uma referência setorial em logística reversa estruturante. Lançado em 2006, quatro anos antes da Política Nacional de Resíduos Sólidos, completou 20 anos em abril de 2026 e é reconhecido pelo Ministério do Meio Ambiente como o maior programa estruturante de logística reversa do Brasil. Em 2025, recuperou mais de 215 mil toneladas de embalagens pós-consumo, Superando em 34,7% a meta de 32% estabelecida pela Política de Resíduos Sólidos, e acumula mais de 1,5 milhão de toneladas recuperadas desde 2013, com mais de 5 milhões de toneladas de gases de efeito estufa evitadas no mesmo período, com metodologia baseada em GHG Protocol e ISO 14067.
O programa conta com orçamento anual que supera R$ 30 Milhões , com a maior parte dos recursos aplicada diretamente em cooperativas de catadores parceiras. Trata-se de uma iniciativa multissetorial, conduzida pela ABIHPEC em conjunto com outras associações, que dialoga com a maior parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
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Proteção da pele e dos cabelos contra UV e poluição
O aquecimento global intensifica fatores que afetam diretamente pele e cabelos. A radiação ultravioleta e a poluição atmosférica tendem a ganhar relevância em um país que já apresenta alta incidência solar, como o Brasil. O aumento das temperaturas médias amplia a exposição da população a raios UVA e UVB ao longo de todo o ano, inclusive em dias nublados.
Partículas poluentes presentes no ar urbano podem se depositar sobre a pele e os fios, o que contribui para o acúmulo de impurezas e para a necessidade de rotinas de higiene mais atentas. O setor de Beleza e Cuidados Pessoais responde a esse cenário com o desenvolvimento contínuo de produtos que apoiam a higiene, a proteção e a manutenção do bem-estar físico, desde protetores solares com filtros UVA e UVB até produtos de cuidado capilar formulados para as condições climáticas brasileiras.
Para orientações específicas sobre cuidados com a pele em um contexto de mudanças climáticas e maior exposição solar, a recomendação é consultar um dermatologista, profissional capacitado para avaliar cada caso individualmente. O uso de produtos regularizados pela Anvisa permanece como ponto de partida seguro para qualquer rotina de cuidado.
Essa dimensão conecta o cuidado com a aparência e bem-estar à dimensão social do setor, que articula autoestima inclusão e qualidade de vida ao uso de produtos desenvolvidos para as condições brasileira. Cuidar para fazer acontecer. Saiba mais sobre como o setor protege consumidores e o meio ambiente em abihpec.org.br.
Rastreabilidade ESG, biodiversidade e o papel do Mãos Pro Futuro
A resposta do setor ao aquecimento global não se limita à formulação de produtos ou à proteção do consumidor, ela se estende à governança de toda a cadeia produtiva. A agenda ESG do setor de Beleza e Cuidados Pessoais vai além do reporte de emissões. Envolve rastreabilidade de ingredientes desde a origem, repartição justa de benefícios com comunidades fornecedoras, inclusão produtiva na cadeia de reciclagem e governança transparente em toda a cadeia de valor.
O Mãos Pro Futuro expressa essa visão na prática. O programa apoia mais de 200 cooperativas de catadores em mais de 150 municípios brasileiros, com presença em todas as 27 unidades federativas. São cerca de 6.000 catadores parceiros, dos quais 55% são mulheres, com renda média mensal estimada em R$ 2.250, valor acima do salário mínimo nacional de 2024. As cooperativas parceiras geraram R$ 176 milhões em receita bruta anual com a comercialização de materiais recicláveis.
O setor também expressa seu compromisso social por meio do Instituto ABIHPEC, que atua em frentes como empregabilidade, equidade racial, saúde e bem-estar e prevenção à violência contra crianças e adolescentes. Essas dimensões ampliam o conceito de cuidado para além do produto e reforçam o protagonismo do setor na construção de uma agenda ESG concreta e verificável.
O programa recebeu reconhecimento da CEPAL-ONU em 2019 e 2021 como case de sustentabilidade e da CNI/FIESP em 2025 como case de economia circular para América Latina e Caribe. Esses reconhecimentos refletem uma trajetória de duas décadas de construção estruturante, com foco em resultados concretos.
A ABIHPEC publicou em 2023 a Trilha de Descarbonização do Setor de Beleza e Cuidados Pessoais, que orienta empresas, em especial pequenas e médias, na estruturação de inventários de gases de efeito estufa e na priorização de ações de mitigação. Em 2024, compensou suas emissões institucionais por meio de créditos de carbono REDD+ em projetos nas regiões amazônica e do Cerrado. O setor esteve presente na COP28, em Dubai, na COP29, em Baku, e na COP30, em Belém.
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O setor brasileiro como protagonista da adaptação climática
O setor brasileiro de Beleza e Cuidados Pessoais reúne escala, capilaridade e compromisso para atuar como protagonista da adaptação climática no país. Em 2025, o faturamento do mercado brasileiro atingiu R$ 175 bilhões, com crescimento de 6,8% sobre 2024, segundo a Euromonitor International. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores mercados consumidores de Beleza e Cuidados Pessoais do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e China.
Essa escala também aparece na presença internacional. As exportações totais do setor atingiram US$ 1,061 bilhão em 2025, com crescimento de 20,1% sobre 2024 e alcance de quase 200 países, segundo dados compilados pela ABIHPEC a partir de fontes governamentais. É a primeira vez que o setor ultrapassa a marca de US$ 1 bilhão em exportações. A cadeia de Beleza e Cuidados Pessoais gera cerca de 7 milhões de oportunidades de trabalho no Brasil, distribuídas entre indústria, varejo, venda direta, franquias e estabelecimentos de beleza profissional, segundo dados da ABIHPEC, ABEVD, ABF e PNAD-IBGE de fevereiro de 2025.
Esse conjunto de dados funciona como evidência de que o setor tem escala para converter práticas sustentáveis em impacto ambiental, social e econômico. A sustentabilidade, para o setor de Beleza e Cuidados Pessoais, tende a atuar como fator de competitividade, diferenciação internacional e resiliência de cadeia, e não apenas como obrigação regulatória ou narrativa reputacional.
Iniciativas de restauração de biomas brasileiros, como as apoiadas pelo Fundo Amazônia, dialogam diretamente com o interesse do setor em manter a disponibilidade de ingredientes nativos em bases sustentáveis e em apoiar a conservação de biomas estratégicos. Essa agenda dialoga diretamente com o interesse do setor em manter a disponibilidade de ingredientes nativos em bases sustentáveis e em apoiar a conservação de biomas estratégicos.
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Perguntas frequentes
O aquecimento global afeta os produtos de beleza e cuidados pessoais usados no dia a dia?
O aquecimento global tende a afetar esses produtos de formas práticas. Temperaturas mais altas podem alterar a estabilidade de emulsões, protetores solares e produtos de cuidado capilar durante o transporte e o armazenamento. Por isso, o setor investe em estudos de estabilidade e em formulações adaptadas ao clima brasileiro. Para quem consome, orientações como armazenar os produtos conforme indicado na embalagem, verificar o prazo de validade e adquirir apenas itens regularizados pela Anvisa contribuem para uma experiência de uso mais segura.
Como o setor de Beleza e Cuidados Pessoais contribui para reduzir impactos ambientais?
O setor atua em duas frentes complementares. A primeira é a economia circular, que começa antes do descarte e envolve o design de embalagens mais sustentáveis, a incorporação de materiais reciclados, modelos de refil e inovação em processos produtivos. A segunda é a logística reversa, instrumento específico de responsabilidade compartilhada no pós-consumo, que estrutura a coleta, a triagem e a reciclagem das embalagens após o uso. O programa Mãos Pro Futuro, que completou 20 anos em 2026, é uma referência nessa frente, com recuperação de mais de 215 mil toneladas de embalagens em 2025 e apoio a centenas de cooperativas de catadores em todo o Brasil.
Os ingredientes naturais brasileiros usados em produtos de beleza estão em risco por causa das mudanças climáticas?
Mudanças nos regimes de chuva e aumento de temperatura podem influenciar a disponibilidade de ingredientes nativos provenientes de biomas como Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica. O setor de Beleza e Cuidados Pessoais responde a esse desafio com investimentos em rastreabilidade, modelos de sourcing sustentável e repartição justa de benefícios com comunidades fornecedoras. A conservação dos biomas também se relaciona com a competitividade do setor, já que a inovação baseada em ativos nativos depende de biodiversidade preservada. Essa atuação já resultou na conservação de mais de 5 milhões de hectares mencionada anteriormente, o que sugere que a preservação dos biomas é agenda concreta do setor.
Como o setor de Beleza e Cuidados Pessoais apoia as comunidades que dependem da biodiversidade?
O setor mantém relação de longo prazo com comunidades extrativistas, agricultores familiares e povos tradicionais que fornecem ingredientes nativos. Essa relação inclui rastreabilidade, repartição de benefícios, tanto monetária quanto não monetária, e apoio ao desenvolvimento produtivo local. Além disso, o programa Mãos Pro Futuro, detalhado anteriormente, gera inclusão produtiva na base da cadeia de reciclagem, com renda média acima do salário mínimo e liderança feminina em mais da metade das cooperativas parceiras, o que reforça o caráter de empoderamento feminino da iniciativa.
O que uma pessoa consumidora pode fazer para contribuir com a sustentabilidade do setor?
Pequenos gestos no cotidiano podem contribuir com essa agenda. Dar preferência a produtos com embalagens recicláveis ou com opção de refil, separar corretamente as embalagens para a coleta seletiva e adquirir apenas produtos regularizados pela Anvisa são ações práticas que fortalecem uma cadeia mais sustentável. A coleta seletiva alimenta as cooperativas de catadores parceiras do Mãos Pro Futuro, que transformam embalagens pós-consumo em renda e em materiais que retornam à cadeia produtiva. Usar os produtos conforme indicado na rotulagem e respeitar o prazo de validade também ajuda a evitar desperdício e a valorizar os recursos envolvidos em cada formulação.

